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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Mina e Fábria de Briquetes de Rio Maior

Uma das construções de Rio Maior que pode ser avistada a vários quilómetros de distância, servindo até de referência para pequenos aviões é a chaminé da mina do Espadanal. Esta chaminé pertencia à central eléctrica existente no pólo industrial envolvente à mina. De referir que a central eléctrica consumia cerca de metade do carvão extraído na mina.
A chaminé embora tenha forma poliédrica o seu interior é redondo constituído por tijolos refractários.
Os primeiros registos que chegaram até nós do carvão extraído em Rio Maior datam de 1915, sendo a exploração pouco intensiva até ao início da segunda Grande Guerra Mundial. Devido á falta de combustível que existia o jazigo passou a ser considerado reserva nacional e iniciou-se a exploração intensiva o que implicou avultados investimentos.
Em 1916 foi feito o registo da mina do Espadanal por António Custódio dos Santos e deu-se a abertura do poço mestre.
A 10 de Julho de 1922 os direitos de exploração mineira do Espadanal passam a ser da empresa ‘E.I.C.E.L.’ (A Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica, Limitada foi constituída a 15 de Setembro de 1920) após um processo de disputa em tribunal entre esta empresa, a empresa das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova e a empresa Carbonífera de Rio Maior.
O Couto Mineiro do Espadanal é finalmente demarcado a 10 de Agosto de 1927.
Em 1969 a mina foi fechada. A 16 de Setembro de 1970 a concessão mineira e os seus activos passam para a Companhia Portuguesa de Electricidade (CPE - actual EDP). Em 1976 por despacho ministerial e por razões de necessidade de reduzir as despesas com a segurança a maquinaria foi desmantelada e todo o seu espólio foi removido ou vandalizado.
Na época áurea a mina chegou a empregar mais de 1500 pessoas e chegou a possuir uma ligação privativa por caminho-de-ferro até ao vale de Santarém. O cais ferroviário da mina era aonde se situa actualmente o pavilhão multiusos de Rio Maior e a principal razão da ligação férrea era o muito mau estado em que se encontravam as vias rodoviárias envolventes.
As principais actividades da empresa que geria o pólo mineiro eram a indústria carbonífera (ligada ao carvão) e a electrotécnica (produção de electricidade).
Na área concessionada e para além das grandes estruturas envolventes á fábrica de briquetes, central termoeléctrica e entrada da mina, a empresa funcionava basicamente em 3 pólos.
Pólo do Espadanal – Este pólo construído em torno do poço mestre de acesso á mina encontravam-se os edifícios de refeitório, posto médico, serralharia, carpintaria, oficina eléctrica, ferramentaria, armazém, escritórios e serviços administrativos. Estes edifícios foram demolidos em 1999 para dar lugar a um bairro habitacional.
Pólo de Bogalhos – Neste pólo existia o sistema de bombagem para drenagem das galerias, a primitiva central eléctrica e casas para operários. Hoje só existem vestígios da central eléctrica e aparentemente têm os dias contados devido a mais um projecto de construção para zona.
Pólo de Abum – O jazigo do Espadanal era constituído principalmente por lignite, mas também por camadas de diatomite. Para a extracção da diatomite (vulgarmente conhecida por giz) a empresa criou neste pólo um núcleo de extracção e processamento deste minério. Actualmente os edifícios foram demolidos e a mina tapada para o espaço dar origem aos estaleiros municipais.
A fábrica de briquetes era usada até data recente como estaleiro municipal e apresenta actualmente um aspecto de abandono com uma degradação muito acentuada de todos os edifícios.
Actualmente só existem dois troços da mina intactos que são a entrada em direcção à fábrica de briquetes em que existiam duas linhas para vagões e uma secção interior em que existiam 3 linhas para vagões. Estas secções resistiram pois têm as abóbadas empedradas sendo que todas as outras secções seguras por troncos de madeira já desabaram.

A título de curiosidade as galerias mais profundas iriam a cerca de 60 metros de profundidade e a chaminé da central eléctrica tem cerca de 70 metros de altura. Os briquetes produzidos eram 'paralelos' de carvão prensado sem o uso de químicos que depois eram usados nos fogões e sistemas de aquecimento de particulares.
É uma pena e um mal já dificilmente reparável a quantidade de património de Rio Maior e dos riomaiorenses que se está a perder. Não devemos esquecer que durante a década de 40 e 50 vieram muitas pessoas de outros pontos do país trabalhar nestas minas e que grande parte delas e das suas famílias acabaram por ficar a residir aqui e cujos descendentes são parte integrante dos riomaiorenses.
As fotos antigas da mina foram retiradas de vários artigos existentes na internet.

Fotos antigas da fábrica de briquetes



Fotos actuais da fábrica de briquetes



Foto antiga da entrada da mina
Fotos actuais da entrada da mina

Fotos antigas de equipamento que já não existe

Foto antiga do cais a onde actualmente existe o pavilhão multiusos da cidade

Vista da mina da zona do caminho de ferro

Fotos antigas da gente que trabalhou na mina


Fica de seguida um video sobre o caminho de ferro e mina do Espadanal que se encontra no Youtube:

Em Abril de 2011 a EICEL (Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico), realizou na Biblioteca Municipal de Rio Maior uma exposição sobre a Mina do Espadanal. Nessa exposição encontrava-se a maquete da zona edificada da mina.

História da Mina do Espadanal:
1890 - Tentativa de explorar o carvão em Pedra na Carniceira, por Charters Crespo.
1914/1915 - Início da pesquisa de carvão na Quinta da Várzea pela Sociedade formada para o efeito por António Custódio, Pedro Goucha, Silvino Sequeira e João Sequeira.
1916 - Pesquisa de sais de potássio no Espadanal por Ayres Augusto Mesquita de Sá e Padre Hymalaia. Descoberta uma camada de 12 metros de espessura de lignite a 30 metros de profundidade. Registo da Mina de Lignite do Espadanal por António Custódio dos Santos.
1917 - Para suportar a continuação das pesquisas na Mina do Espadanal é constituida a sociedade entre a firma Leites, Sobrinhos & Ca. e António Custódio.
1920 - Constituição da EICEL (Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica Lda.
1922 - Os direitos de exploração mineira no Espadanal passam a ser da EICEL.
1927 - O Couto Mineiro do Espadanal é demarcado .
1942 - As Minas de Rio Maior são consideradas reserva de combustível nacional pelo decreto nº32270.
1944 - Graves problemas sociais em Rio Maior devido à chegada de cerca de 1500 pessoas para trabalhar no complexo mineiro.
1945 - Inaugurada a via-férrea Rio Maior - Vale de Santarém e respectivo cais de embarque. Fundado o Clube de Futebol "Os Mineiros".
1955 - Início da laboração da Fábrica de Briquetes.
1968 - Por despacho ministerial é suspensa a lavra no couto mineiro da Quinta da Várzea.
1969 - Crise no sector do carvão que leva à paralisação mineira em Rio Maior.
1970 - A concessão mineira e os seus activos passam para a Companhia Portuguesa de Electricidade (CPE - actual EDP)
1972 - A empresa EICEL é liquidada e quase todos os seus bens passam para o estado.
1976 - Por despacho ministerial, toda a maquinaria foi desmantelada.
Decada de 70 e 80 - Tentativa falhada de instalar uma central termoeléctrica no Espadanal.
1999 - A Câmara Municipal de Rio Maior adquire várias parcelas, num total de 110.380m2 do Couto Mineiro.
2005 - Início do processo de estudo e salvaguarda do Património Mineiro Riomaiorense.
2007 - Constituída a Comissão para o Estudo, Defesa e Valorização do Património Cultural e Natural do Concelho de Rio Maior.
2008 - Constituição do Centro de Estudos Riomaiorenses - Associação para a Defesa do Património.
2010 - Constituída a EICEL - Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico.

Blog da EICEL 1920 - Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arqutectónico:
Excelente estudo do Couto Mineiro do Espadanal, realizado por Nuno Alexandre Dias Rocha no seu projecto de Mestrado:
Artigo sobre a Fábrica de Briquetes, de José Brandão e Nuno Rocha:
Informações sobre a primitiva central electrica de apoio à mina em:
Informações sobre a Mina de Giz (Mina de Diatomite) em:

2 comentários:

  1. Gostei muito das fotos! Há muito tempo que já não as via!

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  2. Parabéns pelo trabalho de divulgação deste património industrial!
    Qual é a situação actual do património mineiro de Rio Maior?

    Cumpts

    Pedro Rodrigues Costa

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