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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Torre Mourisca e Igreja Matriz de S. João da Ribeira

Em São João da Ribeira podemos admirar a Torre Mourisca datada de 1111 segundo um documento arquivado na Torre do Tombo em Lisboa.
Apesar de bastante alterada ao longo dos séculos, ainda conserva a sua forma com base circular e ameada no topo. A data da sua construção é confirmada pela história pois a função da torre era de vigia ou atalaia de reconhecimento contra o avanço em direcção ao Sul das tropas cristãs e como Santarém esteve em poder dos Mouros entre 1110 e 1147, esta localidade era ponto de passagem entre as regiões mouras de Óbidos e a da linha do Tejo. Diz a lenda que esta torre foi construída numa só noite ao luar.
 


Junto a esta torre deve ter existido uma mesquita que foi reconvertida no que é actualmente a Igreja Matriz. A Igreja também sofreu muitas intervenções e modificações ao longo do tempo como as acções documentadas de criação do Altar-mor em 1767, obras de restauro em 1829 e o relógio de sol datado de 1868. Também existe referências a um lustre do século XVII que pendia do tecto da igreja e que terá desaparecido numa das últimas obras.
Esta igreja que é Igreja Matriz, tem por orago São João Baptista, razão pela qual a localidade já se chamou em tempos, São João Baptista da Ribeira.
De referir que até 1834, os serviços religiosos da freguesia eram dependentes do convento dos Lóidos, em Santarém.





 
A Igreja é constituída por uma nave única coberta de madeira, um altar-mor abobadado, duas capelas e oito altares de encosto. O frontal do Altar-mor é revisto por azulejos mudéjares (técnica desenvolvida pelos mouros na Península Ibérica) de ‘arestas’ e de ‘corda seca’ com pinturas sobrepostas a imitar uma franja. De referir que este tipo de painéis era designado no tempo do Barroco como ‘horror vacui’ que significa horror ao vazio pela quase ausência de espaços vazios que esta arte deixa.




A pia baptismal em pedra, encontra-se num nicho por baixo da escada de acesso ao coro.


No espaço que dá acesso ás escadas e ás áreas de apoio da igreja, existem duas imagens antigas e no arco pode-se encontrar uma inscrição na pedra de 1767 em honra do Espírito Santo.



O local em que a Igreja está edificada deve ter sido um antigo cemitério pois têm sido encontradas várias ossadas humanas e os degraus da igreja são reaproveitamento de estelas medievais (pedras cabeceiras de sepulturas).
No largo da Igreja existe um cruzeiro que também segundo a lenda está a cobrir uma sepultura.



Junto á Igreja está o cemitério onde se encontra a sepultura do poeta e ensaísta Ruy Belo (1933 – 1978) natural de S. João da Ribeira.


 

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