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domingo, 23 de maio de 2010

Igreja da Misericórdia em Rio Maior

Igreja da Misericórdia em Rio Maior

Este edifício é o exemplar mais significativo do Barroco no Concelho. A Igreja deve de ter sido construída na época de D. João V (De 1698 a 1750) e era na altura a capela privativa do hospital local.
Em Janeiro de 1759 os moradores de Rio Maior pediram a D. José I a criação de uma irmandade da Misericórdia para tomar conta do hospital e tal foi concedido por alvará a 18 de Abril de 1759.
Em 1810 a Igreja Matriz de Rio Maior entrou em ruína (ainda pode ser vista a torre sineira desta igreja no cemitério local) e a Igreja da Misericórdia passa a ter essa função.
A Igreja da Misericórdia era conhecida com Igreja do Espírito Santo, mas passa a ter como Orago a Nossa Senhora da Assunção.
Em 1875 o espaço desta pequena igreja não era suficiente para o número de fiéis e a população de Rio Maior reclama pela construção de uma nova igreja.
A opção foi pelo alargamento da Igreja da Misericórdia.
Assim o Templo vai sofrer obras de adaptação e remodelação ao longo dos anos seguintes que lhe descaracterizaram um pouco.
Em 1901 a igreja foi novamente alvo de obras de restauro profundas.
Em 1902 com a extinção do Convento de Santa Clara parte do seu recheio veio para a Igreja da Misericórdia de Rio Maior, como: relicário com obra de talha, caixa de relíquias, tocheiros, candeeiro das trevas, imagens, toalhas de altar, ...
Durante o terramoto de 23 de Abril de 1909 a Igreja de São Salvador de Santarém foi destruída, ficando em ruínas, vindo para a Igreja da Misericórdia algumas das suas imagens.
Em 1968 é construída a nova Igreja Matriz, passando esta a ter como Orago a Nossa Senhora da Assunção e a Igreja da Misericórdia passa a ter como Orago a Rainha Santa Isabel, padroeira das Misericórdias.
Deixando de ser Igreja Matriz, a Igreja da Misericórdia sofreu algumas obras nessa altura e mais recentemente, na década de 1990.




Apesar desta pequena igreja, como já foi referido, ter sofrido várias alterações, preserva ainda a arquitectura simples e a talha dourada no seu interior.
No exterior, a fachada é dominada pelas cinco janelas de frontão clássico. Sobressai a imagem da Nossa Senhora da Assunção e lateralmente a pequena torre sineira. Na fachada existe também um painel de azulejos dedicado à Virgem Maria com o escudo português e a data de 1940 (Data em que se comemorou por todo o país a fundação de Portugal em 1140 e a Restauração em 1640).
O interior é constituído por uma só nave, um altar-mor, dois altares colaterais, dois altares laterais e um coro que se dobra em dois corpos laterais apoiados em arcarias.
De salientar os dois altares colaterais em pedra, um com a imagem de Nossa Senhora de Fátima e o outro com a imagem do Sagrado Coração de Jesus. No altar de Nossa Senhora de Fátima pode-se ler uma legenda gravada na pedra com ‘Avé Maria’.
As imagens de Santo António e da padroeira, a Rainha Santa Isabel também se encontram em evidência nas paredes laterais da nave. Na igreja também se pode ver a imagem de São José (imagem em pedra com 50cm que se encontra junto á capela mortuária), São Sebastião (imagem do santo com 120cm em que segura na mão direita uma tocha, localizada junto ao altar-mor), Santa Ana (Ana e Joaquim terão sido os pais da Virgem Maria e a figura de sua mãe representando o sofrimento encontra-se junto ao relicário do Nosso Senhor Morto) e São João Baptista (a escultura encontra-se junto á pia baptismal).
A bonita pia baptismal encontra-se numa divisão lateral e de notar a zona da escada de acesso ao coro com os seus azulejos Seiscentistas azuis e brancos simulando um gradeamento, ornado por uma franja azul e amarela.
O altar-mor é de talha dourada barroca e possui na boca da tribuna uma estátua em madeira do século XVIII representando o Espírito Santo. O dourado que reveste a madeira depois de tratada era muito apreciado durante o século XVII pois ao ouro foi atribuída uma conotação de eternidade e de divino (O ouro é o metal mais precioso, puro e cujas propriedades o tornam muito resistente à acção do tempo).
Antigamente era comum as pessoas mais importantes serem sepultadas dentro das igrejas e esta não é excepção. No entanto com o alargamento da igreja removeram as lápides sepulcrais do seu local original, sendo neste momento só visíveis três delas. As outras ou foram destruídas ou reutilizadas nas obras. Podem-se detectar estas pedras sepulcrais através das suas Epígrafes: Uma encontra-se em frente á porta lateral direita da fachada, junto à escada de acesso ao primeiro piso; Outra como soleira da porta lateral esquerda da fachada; A terceira e mais bem conservada (apesar de cortada para ajustamento do soalho), encontra-se junto à porta do corredor de acesso à sala mortuária.






A Misericórdia é a entidade responsável pela manutenção e conservação do templo e em conjunto com a Paróquia tentam dinamizar o espaço, quer pelas celebrações religiosas, quer pela realização de espectáculos.

Fica de seguida uma imagem do altar desta igreja em 1905.

 
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