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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Covas do Bagaço na Serra dos Candeeiros.

Bagaço é o resíduo dos frutos que foram espremidos para lhe extrair o suco.
O Bagaço da azeitona guardava-se nas ‘Covas do Bagaço’ para ser utilizado posteriormente na alimentação dos porcos e galinhas, mas que também servia para a lareira e para adubar as terras.
 
As Covas do Bagaço são assim um equipamento mais, associado ás casas serranas. Como a oliveira se dá bem em terreno pedregoso e seco durante o Verão, esta árvore abunda na Serra dos Candeeiros e na aldeia de Chãos, por exemplo, ainda se podem ver várias destas covas.
A cova é um pequeno reservatório circular escavado no solo, não muito perfundo e que possuí um muro à sua volta. Para conservar o bagaço destinado à alimentação animal, era costume espalhar sal entre as camadas e no final tapar a cova com uma laje para a proteger da chuva.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Eiras na Serra dos Candeeiros

Eira (do latim área ou pedaço de terra) é um espaço plano com o chão duro onde os cereais eram secos, malhados e depois peneirados para se separar a palha e outros detritos dos grãos de cereais.


 
Na serra dos candeeiros pode-se encontrar eiras com a forma circular, mas também rectangulares, delimitadas por pequenos muros, apenas com uma abertura para permitir a entrada e saída. O piso é geralmente coberto de argamassa ou com lajes, mas também existem eiras com o piso em terra batida mas que precisavam de ser tratadas antes de utilizadas. Então nas eiras de terra batida, o piso era raspado e limpo, depois regado e alisado para logo de seguida se espalhar palha miúda que ao ser batida com a enxada rasa formava uma superfície bastante dura.
A imagem seguinte pertence ao arquivo do PNSAC.


A eira não era só lugar de trabalho, mas também se transformava num local de festa. As pessoas da aldeia ao se juntarem na eira permitiam uma certa descontracção e conversas animadas. Era também um local em que se cantava, dançava e claro namorava.
Estas eiras ainda existem, dispersas pelas zonas rurais, mas podem ser melhor observadas nas zonas serranas como na aldeia de Chãos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Cisternas na Serra dos Candeiros


A ausência de água à superfície em grande parte da Serra dos Candeeiros, levou a que os seus habitantes tivessem que recorrer a reservatórios de água (cisternas) para poderem ter água durante todo o ano (isto claro antes da água canalizada). Devido à natureza calcária da serra era inútil abrir poços, logo o único meio de se ter água era retendo a água da chuva.
A água era então considerado um bem precioso e utilizada apenas para o essencial do dia-a-dia das famílias (incluindo animais). Dada a sua importância, algumas aldeias possuíam mesmo cisternas comunitárias.
Para a construção das cisternas aproveitava-se pequenos algares ou depressões rochosas ou então tinha-se de as construir de raiz. As cisternas eram sempre tapadas para evitar que a água se sujasse, evaporasse ou ainda houvesse o aparecimento de algas com os inevitáveis insectos. Para a impermeabilização era tradicionalmente usada uma mistura de azeite e cal.
Engenhosa é a forma usada para encaminhar a água dos telhados para a cisterna que recorria a caleiras ou então a pequenas reentrâncias nas paredes ou muros.
Estes autênticos elementos de arquitectura rural podem ser observados em Casais Monizes ou então em Chãos.
Em Chãos a Cooperativa Terra Chã tem promovido a recuperação e revitalização das estruturas do património rural nas quais as cisternas se incluem.



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Nelinho, pastor na Serra dos Candeeiros

Raúl Grabiel dos Santos Rodrigues, mais conhecido como Nelinho é casado e tem um filho.

Raúl é uma pessoa muito simpática e prestável, nasceu a 06 de Fevereiro 1971 e actualmente mora no repolho, São Sebastião embora a maior parte do tempo esteja a cuidar das 150 cabras (muitas delas prenhas) na Serra dos Candeeiros.
Ser pastor é um trabalho duro e solitário. Abrigos para a chuva são dificeis de encontrar no cimo da serra e para se protegerem do vento existem os chamados “abrigos de pastor” (pequenas paredes de pedra).
Nesta profissão é necessário saber prever o tempo, pois com muita chuva não se pode estar no topo da serra e com nevoeiro podem-se perder cabras. O conhecimento de cada recanto da serra também é essencial para se ser um bom pastor.
Os principais perigos de ser pastor na Serra dos Candeeiros são as víboras (víbora cornuda cujo veneno pode matar em 24h) e os escorpiões. Muito raramente aparecem raposas e os lobos já há muitos anos que não são vistos por esta região.

 
Raúl ao ser pastor está a abraçar o projecto de conservação da Gralha-de-bico-vermelho.

 
O projecto de “Conservação da Gralha-de-bico-vermelho na Serra dos Candeeiros” foi apresentado pela Quercus no âmbito do programa “Criar Bosques, Conservar a Biodiversidade 2008-2012”. A Cooperativa “Terra Chã” é um verdadeiro parceiro operacional do projecto no terreno e que tenta dar continuidade ao projecto após os cinco anos.
A actividade de pastorícia vem dar condições para que a gralha se possa alimentar. Estas aves geralmente alimentam-se no solo de insectos, mas também de sementes e bagas. Aqui o gado tem um factor importantíssimo pois limita os arbustos e as plantas infestantes que impedem o acesso ao solo (como o carrascal e o alecrim), mas também as suas fezes atraem insectos que são o alimento favorito da gralha.
As primeiras cabras (cerca de 60) chegaram a Chãos no final do mês de Março de 2009. Estas cabras serranas (Ecotipo Ribatejano) pastam numa área com cerca de 200 hectares na Serra dos Candeeiros. As zonas de pastagem são perto dos algares em que as aves nidificam.

 
A presença das cabras não cria somente condições para a Gralha-de-bico-vermelho se fixar aqui na Serra dos Candeeiros, mas permite também:
- Reduzir o número e extensão dos incêndios por reduzir a quantidade de biomassa existente.
- Vender queijos certificados com leite produzido pelo rebanho.
- Permite produzir mel de excelente qualidade por darem condições ao aparecimento de flores.
- Permite criar iniciativas como a “Rota dos Pastores” em que as pessoas podem participar e viver por um dia como um pastor, acompanhando o pastor e as suas cabras na sua rota e actividades.
- Permite o desenvolvimento do turismo.


Como já foi dito, o principal dinamizador deste projecto é a Cooperativa “Terra Chã” e pode saber mais sobre ela em:

Vou terminar o artigo, agradecendo ao Nelinho pela sua ajuda e por permitir-me elaborar este artigo. A pastorícia já foi uma actividade muito importante no Concelho de Rio Maior, deve-se assim trabalhar para dignificar a profissão de pastor.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Novo site do Município de Rio Maior

A Câmara Municipal de Rio Maior tem o seu espaço na Internet com novos conteúdos, mas principalmente com uma imagem renovada.


A não perder a secção de mapas, que está realmente muito boa. Pode-se consultar o mapa com um elevado nível de pormenor até à escala de 1:100 e com vários níveis de opções: Cartografia Militar; Ortofotomapas de 2006; PDM; Cartografia CIMLT/CMRM de 2006; Cadastro Rústico de 2004; Edifícios; Eixos de Via e Limites Administrativos de 2010.

Fica de seguida o mapa do Concelho de Rio Maior.

Falta dizer o endereço: http://www.cm-riomaior.pt/
Neste Blog também existe um atalho para o site da Câmara no lado direito.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Chegada a Malaqueijo

Que não fiquem dúvidas a ninguém, estamos a chegar a Malaqueijo.


A Freguesia de Malaqueijo foi criada somente a 16 de Maio de 1984, mas já existem registos da Aldeia de Malaqueijo de 1527, aquando de uma estatística realizada a Rio Maior.
Existe uma lenda que conta a origem do nome Malaqueijo que nos fala de um caminhante que ao passar por este local se sentiu cansado e com fome. Avistou um pequeno casebre no meio dos montes e dirigiu-se para lá. Bateu à porta e foi atendido por um velho pastor que lhe perguntou ao que vinha. O caminhante lá lhe respondeu que procurava algo para se alimentar pelo que obteve como resposta “mal há queijo”. Assim surge o nome como a região ficou conhecida, Malaqueijo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Antigas casas de mineiros em Abum

 
A curta distância da mina de diatomite do Abum e da secção dos Bogalhos encontram-se 8 casas em banda, construídas pela EICEL em 1946.
Esta estrutura edificada para alojar operários mineiros, permaneceu habitada por antigos mineiros e suas famílias após o encerramento da mina até aos nossos dias.


Sobre o complexo central da Mina do Espadanal pode consultar:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2009/12/uma-das-construcoes-de-rio-maior-que.html

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Bairro Mineiro de Santa Bárbara

O Bairro Mineiro de Santa Bárbara foi edificado em 1959 por iniciativa privada e com o apoio da E.I.C.E.L. (Empresa responsável pela exploração das minas em Rio Maior).

 
Santa Bárbara é a padroeira dos mineiros.
Santa Bárbara foi segundo a tradição católica, uma jovem nascida na cidade de Nicomédia (perto da actual Istambul, Turquia) e era filha de Dióscoro, um nobre Romano. Bárbara acabou por se converter ao cristianismo, o que deixou o seu pai furioso, levando-o a matar a sua própria filha depois de a torturar. Ao a matar, um relâmpago também o matou. Santa Bábara ficou conhecida como protectora contra os relâmpagos e tempestades e passou a ser considerada padroeira de todos os que trabalham com fogo, como os mineiros.
A imagem seguinte retirada do Blog http://rio-maior.blogspot.com/ mostra a procissão que se realizava entre aos escritórios da EICEL no Espadanal e a Boca da Mina.

 
No Bairro de Santa Bárbara havia e ainda existe 12 casas térreas e geminadas devidamente numeradas de 1 a 12. Cada moradia era composta por três divisões e uma cozinha. No quintal havia uma casa de banho. Em frente de cada casa havia uma parcela de terreno onde eram semeados e colhidos produtos hortícolas para consumo próprio de cada família.



Num comentário de Vitor Almeida ao blog http://rio-maior.blogspot.com/ informa que:
A divisão das famílias pelas casas era:
  Nº01 – Família Corneta, originária de Penamacôr
  Nº02 – Família José Martins, originária do Alentejo
  Nº02 – Família Sacho, originária de Aljustrel
  Nº04 – Família Soldado, originária de Pias, Alentejo
  Nº05 – Família Manuel de Almeida, originária de Penamacôr, mina do Palão
  Nº06 – Família Manuel dos Cabos, originária de Almoster, Santarém
  Nº07 –
  Nº08 – Família Joaquim Simão, originária do Alentejo
  Nº09 –
  Nº10 – Família Abílio Apolinário, originária de Azambuja
  Nº11 – Família Teixeira, originária do Alentejo
  Nº12 – Família Magno, originária de Alcobaça

Sobre o complexo central da Mina do Espadanal pode consultar:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2009/12/uma-das-construcoes-de-rio-maior-que.html

sábado, 10 de dezembro de 2011

Esplanada Típica em S.J. da Ribeira

A Esplanada Típica em São João da Ribeira, encontra-se mesmo ao lado da Igreja e Torre Mourisca.
Este Salão foi inaugurado a 23 de Junho de 1989 e possui excelentes condições para a realização de eventos.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Bairro do Espadanal

Em Rio Maior, a atividade mineira da Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica, distribuía-se por três polos principais, para além da grande estrutura edificada na década de 40/50 do século passado:
Polo 1 – Espadanal – Polo inicial desenvolvido em torno do poço mestre aberto em 1916, com edifícios destinados a Escritório, Posto Médico, Refeitório, Oficinas, …
Polo 2 – Bogalhos – Junto a um segundo poço de acesso à mina, continha o sistema de drenagem de águas para a Ribeira do Aboim, a primitiva central eléctrica e casas para operários.
Polo 3 – Abum – Estabeleceu-se uma segunda concessão mineira, vulgarmente denominada ‘Mina do Giz’, para a extração de diatomite.

Nas imagens seguintes pode-se observar o aspecto dos antigos edifícios.
 

 
Fotos retiradas de uma filmagem amadora do pólo do Espadanal realizada em 19 de Setembro de 1998. A filmagem encontra-se na página do Facebook da Eicel Património Mineiro, em:


Os sete edifícios que existiam neste polo que se foram renovando ao longo do tempo de exploração da mina, destinavam-se a: Direção Técnica, Escritórios, Posto Médico, Refeitório, Topografia, Carpintaria, Oficina de Serralharia, Oficina Eléctrica, Ferramentaria, Armazém e Garagem.
Resumidamente, nesta área encontravam-se as áreas de apoio á laboração do complexo mineiro.

Em 1999 o conjunto edificado foi demolido pela Câmara Municipal para aí ser construído um bairro social para albergar 14 famílias de etnia cigana que ocupavam na altura um terreno privado junto à Avenida Mário Soares (zona do atual Pavilhão Multiusos e Parque escolar). Esta foi uma ação no âmbito do projeto “Percursos de Cidadania” (projeto de luta contra a pobreza do Concelho de Rio Maior). De notar que nos sensos de 2001 estavam registadas 20 barracas na freguesia de Rio Maior.

Em 2003 foram assim entregues e ocupadas as moradias do Bairro do Espadanal. O bairro é um conjunto de moradias térreas do tipo pré-fabricado.
Atualmente existem mais algumas construções em alvenaria que foram construídas à revelia.

 
Hoje em dia o Bairro do Espadanal está envolto em polémica, já que o ‘Centro Europeu dos Ciganos’ (European Roma Rights Center - ERRC) apresentou um relatório em que afirma que as famílias foram isoladas no meio da floresta, no topo de uma velha mina, onde não há transportes públicos, iluminação e acessos alcatroados. As queixas estendem-se há existência de infiltrações nas casas e aos problemas respiratórios relacionados com as poeiras provenientes da mina desativada.
O ERRC tem sede em Budapeste (Hungria) e é uma organização do direito internacional público que tem por missão combater a descriminação e alcançar a igualdade das pessoas de etnia cigana.
Em Novembro deste ano, vieram a Portugal dois emissários do ERRC (Dezideriu Gergely – Diretor executivo e Lydia Gall – Responsável jurídica) para denunciarem esta e outras situações que ocorrem em Portugal

A Câmara Municipal de Rio Maior tem uma opinião contrária e já rebateu oficialmente as denúncias.
Segundo a Câmara Municipal, a exploração da mina já cessou há cerca de 60 anos, não sendo conhecidos problemas de saúde relativos à antiga atividade mineira. Em 2003 foi feito um avultado investimento por parte da câmara para dar uma casa a pessoas que viviam de forma ilegal em barracas e tendas. O Bairro do Espadanal dista cerca de 400 metros do perímetro urbano da cidade (perto da zona escolar e do centro desportivo), é servido por uma estrada asfaltada e possui iluminação pública.


Independentemente da forma como o alojamento foi realizado em 2003, o importante é que a coabitação de todos se faça de uma forma integrativa de modo a que as diferenças existentes numa comunidade sirvam para valorizar e enriquecer culturalmente o povo e não para criar cisões e divisões sem nexo. O segredo está no conhecimento e respeito mútuo.

Sobre o complexo central da Mina do Espadanal pode consultar:

domingo, 4 de dezembro de 2011

Zona de Rio da Ponte em Rio Maior

Esta zona que fica na passagem do rio Maior em frente ao cemitério da cidade, encontra-se completamente remodelada em relação à sua situação em meados do século passado.
 
Na imagem antiga, retirada do livro ‘História de Rio Maior’ de Fernando Duarte, pode-se ver na zona central a antiga ponte que aí existia. Na zona esquerda da fotografia vê-se o acesso ao rio e do lado direito a taberna do João Romão (lagar do Varela) e a casa da Maria Romão. Ao fundo na fotografia, pode-se vislumbrar o arvoredo da entrada do cemitério e a torre da antiga igreja matriz que se encontra no cemitério e que entrou em ruína em 1755.

Na imagem seguinte pode-se ver a imagem actual do local, largo Eng. Adelino Amaro da Costa, com a actual ponte sobre o rio Maior.

A antiga ponte foi demolida nos anos oitenta do século passado com o objectivo de ser alargada.
Na exposição permanente que existe na Casa Senhorial, pode-se ver a pedra de fecho do antigo arco da ponte, a qual tem a inscrição "12.1870.9" que se refere à data de inauguração da mesma, 12 de Setembro de 1870.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Percurso 'PR3 RM' - Paul da Marmeleira

O percurso pedestre ‘PR3 RM’ está reconhecido pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal e é um caminho circular com partida em São João da Ribeira, mas que passa pelo Paul da Marmeleira. ‘PR’ significa ‘Pequena Rota’, ‘RM’ significa que é de ‘Rio Maior’ e ’3’  foi o número do percurso atribuído pela Federação.
 
Mesmo durante o Inverno é um percurso extraordinário para se estar em contacto com a natureza e passar bons momentos com a família, amigos e animais de companhia. É bom aproveitar a riqueza que temos e ainda por cima é grátis.
Actualmente o percurso necessitava de alguma beneficiação, pois as marcas deveriam de ser refeitas e parte de um caminho rural desabou. Contínua ainda assim a ser um excelente percurso.



 
A ficha seguinte e o texto, foram retirados da sitio do ‘Clube do Mato’ em:
http://www.clubedomato.com.pt/pr3rm.html


O PR3 “Paul da Marmeleira" é um percurso de natureza que se desenvolve em zonas rurais e ambientes lacustres.
Inicia-se junto ao museu etnográfico de S. João da Ribeira, em direcção á EN114. Passando junto à Casa do Poeta Ruy Belo, atravessa uma ponte pedestre sobre o rio Maior, seguindo depois para jusante através de um estradão em terra batida naquilo que foi em tempos a linha de caminho de ferro das minas de linhite e giz de Rio Maior. Abandonando o estradão, à direita, segue por um caminho rural que ladeia o “Paul”.
Zona privilegiada para observação da avifauna e flora típicas de ambientes lacustres, culminando numa elevação natural de onde se avista toda a superfície alagada e as encostas rurais até às primeiras casas da Vila da Marmeleira.
Voltando ao caminho rural, inicia-se o regresso passando pelos reservatórios de água, ponto elevado com uma vasta panorâmica sobre toda a região.
Características:
O PR3 “Paul da Marmeleira” é um percurso pedestre de pequena rota, marcado nos dois sentidos, segundo as normas da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal.
- Tipo de percurso: De pequena rota, em caminhos rurais e tradicionais.
- Âmbito: Histórico e ambiental.
- Época aconselhada: Primavera. Podendo ser realizado em qualquer altura do ano.
- Distância a percorrer: 7,2 Kms, em circuito.
- Duração do percurso: Cerca de 3 horas.
- Nível de dificuldade: Baixo.
- Desníveis: Pouco acentuados (21 metros – 96 metros).
- Ponto de partida /chegada: Junto ao museu Rural de S. João da Ribeira.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Azambujeira em 1758

Este artigo é escrito com base no documento 'Memórias Paroquiais' de 1758 guardado no Arquivo Nacional Torre do Tombo.
O documento tem como código de referência PP/TT/MPRQ/5/67.
As páginas que referem Azambujeira são as 957, 958, 959 e 960 do nº67, volume 5 de 'Memórias Paroquiais'.

Este é um artigo que faz uma fotografia de Azambujeira no ano de 1758, três anos após o grande terramoto de Lisboa.

Em resumo:
O Conde de Soure era o donatário na altura da vila de Azambujeira.
É feita a localização geográfica de Azambujeira e é referido que possuía 97 famílias que dava cerca de 350 pessoas.
É feita uma descrição detalhada da Igreja Matriz com devoção a Nossa Senhora do Rosário e também surge a referência à Ermida de Santa Luzia que já na altura se encontrava em vias de ruína, mas que mesmo assim era muito frequentada pelos populares que a ela também se deslocavam para cumprir promessas.
Existe uma descrição muito detalhada dos rendimentos da paróquia (grande parte das medidas são em Moios e 1Moio=21,762hectolitros).
O poder politico na região também é descrito, com o Juiz Ordinário, Juiz de Órfãos, Alcaides, Vereadores, Procurador do Concelho, Oficial da Câmara e Almotacé.
São descritos também os dois rios que passam por Azambujeira: O Rio Maior e o Rio de Alcobertas.
Curiosa é a descrição pormenorizada do Rio Maior, começando pelo seu nome. O Rio Maior era conhecido na nascente como Rio do Jogadouro, depois em Rio Maior, chamava-se Rio Maior, em São João da Ribeira, era conhecido como Rio de São João e após Azambujeira passava a ser conhecido como Rio do Amial.
O Rio Maior é descrito como sendo navegável por bateis, como tendo um grande caudal desde a sua nascente e como tendo uma grande abundância de peixe (Enguias, barbos, fataças, Sarmoins, ruivacas e lampreia).
As margens do rio também não foram esquecidas e são descritas como muito produtivas para o trigo, milho, legumes, árvores de fruto e árvores silvestres. Na região também surge referências à cevada, às oliveiras, às videiras e ao feijão fradinho.
Por último, o terramoto de 1755 não fez muita destruição por Azambujeira, pois caíram somente algumas casas de sobrado.





Segue agora uma cópia que tentei fazer do manuscrito. No entanto como não sou entendido em português antigo, poderá ter alguns erros.

Emm. Sn’r
Que posso dizer a respeito desta minha freguezia da villa de Azambugeira hes seguinte
Pertençe ao Patriarcado de Lisboa, comarca da villa de Santarem, termo da villa de Azambugeira e Freguezia de Nossa Senhora do Rozario
Esta villa he donatario della o Excelentipsimo Conde de Soure e o he ao prezente.
Tem esta Freguezia noventa e sete moradores, tem trezentas e sincoenta pepsoas.
Está esta villa situada em hum monte e se descobre della a villa de Santarem donde dista duas Legoas para a parte do Nacente.
Tem esta villa seu termo e comprende dois Lugares hum delles se chama Louriçeira que he da Freguezia de Almoster tem doze moradores, o outro Lugar he desta Freguezia e se chama Alfouvés, e tem trinta e seis moradores.
A Paroquia esta dentro na villa, e fora da villa tem hum lugar que se chama Alfouvés; o Orago desta Freguezia he Nossa Senhora do Rozario; tem aí Igreja só huma nave; tem três Altares exceto o da capela mor; o da parte do Evangelho he de Santo Antonio; e o da Epistulla he do Senhor Jezus Crucificado; estes dois Altares ficáo na façia da Igreja tem outro Altar na parede da Igreja da parte da Epistulla e he de Nossa Senhora do Rozario; tem esta Freguezia duas comfrarias, huma do Santipsimo Sacramento e outra de Nopsa Senhora do Rozario, esta comfraria de Nossa Senhora do Rozario esta sobordinada ao Prior do convento de Sáo Domingos da villa de Santarem; O Parroco desta Freguezia he vigario he aprezentado pello Excelentipsimo Conde de Soure a renda serta que tem Sáo dois moýos, de trigo, e hum moýo, de Feijáo fradinho, quatro cantaros de azeite, e huma terra no Paul chamado emtre as vallas, que costuma dar de nouidade trigo e milho dois moýos o mais he, se de Altar que junto huma couza com outra, rendera húns annos pelos outros cento e vinte mil reis
Tem esta Freguezia huma Ermida da Evocaçáo de Santa Luzia a qual imagem se acha na igreja por estar a ruinada a Ermida
Esta Ermida pertence ao Povo, tem muntas pepsoas devoçao com a Santa, donde vem varias vezes agradecer á Santa algum milagre que rezas a respeito dos olhos
Os Frutos que os moradores desta Freguezia recolhem sáo trigo munto e bom sevada e bastante milho também recolhem munto vinho e azeite e legumes de todas as castas
He governada esta terra por hum Juis ordinário tem dois Veriadores e hum Procurador do conçelho e Almotaçe  e Oficial da camara e Alcaydes e o mesmo Juis ordinário he Juis dos orfos; Esta Justiça he feita de tres em tres anos por pelouro o qual se costuma a fazer justiça para tres anos e preside á Eleiçáo o corregedor da villa de Santarem pelo qual sáo confirmados quando se abre o pellouro; Sevinçe esta terra do correyo da villa de Santarem de onde dista duas Legoas
Fica esta terra distante da çidade de Lisboa quatroze Legoas.
A ruina que padeçeo no teremoto do anno de 1755 foráo só humas cazas de sobrado as quais cahiráo a inda se acháo cahidas
Está esta terra em hum monte a qual sercáo dois Rios hum da parte do poente o qual tem o seu nascimento na Freguezia de Rio Mayor junto a huma quinta chamada o jugadouro no qual sitio comteria o mesmo nome do sitio donde nasçe Logo mais abaixo se chama Rio Mayor tomando o nome da terra por onde papsa passando pella Freguezia de Sáo Joáo da Ribeira se chama o Rio de Sáo Joáo e chegando a esta Freguezia de Azambugeira se chama o Rio do Amial por passar por huma Ribeira chamada o Amial e dista desta Freguezia duas legoas ao seu nascimento
Este Rio nasçe logo caudallozo e corre todo o anno
Desta Freguezia para sima náo he navegável por cauza de huma ponte de cantaria que se acha no meyo das Fazendas da Freguezia ca tal ponte empede a navegação daqui para sima
O outro Rio da parte do Nacente naçe a onde se chama as Alcobertas  No chamado olho dagoa das Alcobertas e nesta Freguezia se chama o Rio de Calharis este Rio daqui para cima the o lugar do seu nascimento náo he navegável por respeito dos asudes Este Rio também naçe Logo caudaloso e corre todo o anno
Qualquer destes dois Rios desde o sitio donde moram the apon que esta nesta Freguezia são Navegaveis no tempo de Inverno por Bateis que costumáo carregar quinze dezasseis moyos de páo
Qualquer destes dois Rios em humas partes sáo de curso Arebatado em outras quieto;
Correm estes dois Rios do Norte para o Sul; Criáo estes Rio quantidade de Peixes de toda a casta estes sáo muntas emguia barbos Fataças Sarmoins Ruivacas e em  alguns mezes do anno como sáo Março Abril e Mayo se fazem huns carreiros donde se apanháo bastantes Lampreas e de toda a pescaria uzáo Livremente todas as pepsoas
As margens destes dois Rios se cultiváo donde se recolhe bastante trigo milho e Legumes em algumas partes tem seu Arvoredo tanto de Fruto como  Silvestre
Estes dois Rios se ajuntáo hum com outro nesta Freguezia donde chamáo o canto do pego juntos em hum váo morrer no Rio Tejo donde chamáo o Rio Novo
Os moradores desta villa uzam Livremente de suas agoas para a cultura das suas terras
O Rio da parte do Nascente desde o seu Nascimento ate donde morre dista sete Legoas e o da parte do Poente dista seis Legoas; he o que a Vossa Emm.ª poço dizer desta minha Freguezia de Azambugeira houje dois de Abril de 1758

O Vigario Francisco Baup.tas
Azambugeira

sábado, 19 de novembro de 2011

Casais Monizes

No alto da Serra dos Candeeiros existe o lugar de Casais Monizes que pertence a Alcobertas.

Este lugar árido está envolto em várias lendas, como se pode verificar no artigo:

Na terra as casas costumavam ser baixas e com portas pequenas como se pode observar na seguinte fotografia de 1943.
 
As casas eram baixas com portas pequenas, poucas janelas e muitas sem chaminé para protegerem os seus habitantes do frio e do muito vento que por aqui costuma fazer no inverno. A construção é em pedra pois esta matéria-prima abunda por toda a região.
Algumas destas casas ainda são possíveis de observar em Casais Monizes, embora a maior parte delas se encontrem ao abandono, preferindo agora os seus habitantes, como é óbvio, morar em casas novas e já com todos os confortos que a modernidade trouxe.

 
A água é um elemento que escasseia nesta terra, principalmente durante os meses de Verão. Por isso antigamente usavam-se as depressões nas rochas ou algares para servirem de cisterna, armazenando as águas da chuva. A abertura de poços é inútil por aqui devido à serra ser formada por rocha calcária.

 
Devido ao facto da terra ser árida, a agricultura sempre foi de subsistência, sendo que o gado constituía a verdadeira riqueza da região obrigando antigamente os habitantes a serem essencialmente pastores. Pelo gado os homens de Casais Monizes faziam todos os sacrifícios e criaram talhados na rocha os bebedouros para matar a sede aos animais.

 
Por estas terras o gado alimentava-se sobretudo de alecrim. Assim o alecrim sustentava os rebanhos, alimentava as abelhas que faziam o mel, desinfectava os quartos dos doentes, enfeitava os cabelos das noivas, servia de incenso na capela e dava um outro sabor às refeições. Havia assim uma dependência dos habitantes em relação a esta planta. E como refere Frederico Alves no artigo ‘Casais Monizes – A Serra dos Degredados’ que publicou em 1943 no ‘Multidão’, a planta do alecrim que em noutras terras é desprezada, aqui assume o estatuto de ‘planta sagrada’, cuidada como algo muito precioso por seus habitantes.

 
Para se poder usar o solo para a agricultura e pastorícia teve de se limpar este das pedras calcárias que o cobriam. As pedras foram usadas para construir muros, delimitando assim as propriedades, mas ao mesmo tempo protegendo as culturas dos ventos fortes.