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sábado, 21 de julho de 2012

O curso do rio Maior

O curso do rio Maior.

Como já foi referido em artigos anteriores, o rio Maior nasce no local das bocas em Rio Maior e vai desaguar no rio Tejo em Azambuja.
Neste artigo vou focar no curso do rio Maior após sair do Concelho de Rio Maior.
Os pontos que vão ser referidos, estão numerados no seguinte mapa.

 
(1)
O rio Maior deixa o Concelho após passar por Azambujeira. Neste local o rio Maior recebe a companhia da ribeira de Alcobertas e da ribeira de Almoster, formando o Paul das Salgadas e entrando na Vala da Asseca pelo paul de João Andrade. Um pouco mais atrás, na Vila da Marmeleira, o rio Maior recebe água da ribeira do Juncal que passa por Arrouquelas e Assentiz.
A imagem seguinte mostra o paul das Salgadas com Azambujeira por trás.

 
(2)
O rio Maior passa pela autoestrada A1 ao seu quilómetro 64 e chega à Ponte do Celeiro seguindo sempre pela Vala da Asseca.

 
(3)
Ao rio Maior junta-se o Ribeiro das Fontainhas e dá-se a chegada a Asseca.
Aqui o rio passa por baixo da estrada N3 e da linha de caminho-de-ferro.

 
(4)
O rio segue em direção ao Vale de Santarém e pode novamente ser atravessado por carro junto à Quinta de Santo António.

 
(5)
Antigamente o rio Maior desaguava no rio Tejo perto desta zona, provavelmente perto de Carneiras.
Como se pode verificar na Carta da Correição de Santarém que data de 1640 e que foi realizada por Teixeira da Mota, nesta época o rio Maior desaguava no rio Tejo, entre Santarém e Cartaxo.

 Na imagem seguinte vê-se a zona do rio Tejo bastante plana, junto a Carneiras.

 
(6)
Uma das preocupações das habitantes desta zona sempre foram as inundações.
Em Marvila, existe um marco no qual está registado o nível atingido palas águas durante as últimas cheias (reconstruído em 1991).
Como curiosidade, o registo mais antigo é de uma cheia ocorrida às 9 horas do dia 25 de Março de 1956 em que a água atingiu 0,71m. O nível mais alto da água registado, verificou-se às 24 horas do dia 11 de Fevereiro, com uma altura de 1,90m.

 
(7)
Um outro local em que está bem patente a preocupação com as cheias é em Valadas em que existe um dique de proteção com vários quilómetros de comprimento

 
(8)
Toda a planície que fica situada na margem norte do rio Tejo, nesta zona, é bastante fértil e desde há muito tempo que alimenta a capital com cereais e legumes.
Aqui existem várias quintas, como a Quinta da Fonte Bela.

 
(9)
Para regularizar o caudal do rio maior, controlando melhor as cheias e para escoar os produtos e pessoas, o Marquês de Pombal, mandou construir a Vala Real de Azambuja. Esta vala começou a ser construída no reinado de D. José I e foi concluída no reinado de D. Maria I, ficando com um comprimento navegável aproximado de 17 quilómetros. A vala já foi navegável por embarcações (fragatas e barcos varinos) de 30/35 toneladas e foi administrada pela empresa Companhia dos Canais de Azambuja. Por contrato, a empresa, tinha que manter o canal navegável, entre o rio Tejo e a Ponte da Asseca (3) com uma carreira diária para passageiros.
Quando o rio Maior passa pela ponte de Santana, já vai na parte navegável da Vala Real.

 
(10)
Em Setil existe uma ponte do caminho-de-ferro que faz a ligação entre a Linha do norte e a Linha do Sul (estas são as duas principais linhas ferroviárias de Portugal).

 
(11)
O rio maior, continuando sempre pela vala Real, passa pela ponte do Reguengo.

(12)
A partir daqui, várias ribeiras vão dar à Vala Real, como a ribeira do Vale da pedra, a ribeira da Quinta da Caridade e a ribeira de Aveiras.
A imagem seguinte é da Vala Real, sob a ponte em Azambuja (estrada das Lezírias).

 
(13)
Após Azambuja, a Vala Real dirige-se para o rio Tejo.
Para chegar ao à foz do canal, tem-se que percorrer um caminho de terra bastante pitoresco.

 
(14)
Na união da Vala Real com o rio Tejo, foi erigido um edifício, conhecido como o Palácio das Obras Novas. Este edifício, datado dos finais do século XVII, funcionou como um posto de controlo do tráfego de embarcações, pessoas e mercadorias. Chegou também a funcionar como entreposto e estalagem de apoio à antiga carreira de vapores que funcionava entre Lisboa e Vila Nova de Constança. Aqui ficaram instaladas importantes personalidades da nobreza, como o Rei D. Carlos e o Príncipe Luís Filipe.
Atualmente encontra-se em ruínas.

 
A imagem seguinte, mostra a Vala Real, mesmo antes de desaguar no rio Tejo.
Chama-se Vala Real pois a família real usava-a para as suas frequentes deslocações a Salvaterra de Magos.
Por volta de 1852 passavam anualmente (em média) 3000 barcos, transportando 16.000 toneladas de carga e 18.000 viajantes.
O canal deixou de ter importância e entrou em declínio com o aparecimento do caminho-de-ferro. A inauguração da primeira linha de caminho-de-ferro em Portugal aconteceu a 28 de outubro de 1856 com o troço entre Lisboa e o Carregado.
A Companhia dos Canais de Azambuja foi dissolvida a 30 de Julho de 1857.


Pode saber mais sobre o rio Maior em:

terça-feira, 10 de julho de 2012

Escultura à Liberdade em Asseiceira


Na entrada de Asseiceira para quem vem do IC2, existe uma escultura à Liberdade.
Liberdade de espírito, liberdade de ideais.

 
Esta obra ainda não foi inaugurada, apesar da escultura já se encontrar no local desde o início deste ano.
No projeto inicial do escultor RicardoTomás, estava contemplada uma pedra de fecho na porta, mas assim, talvez o grupo escultórico ainda consiga transmitir melhor a noção de liberdade.

 
Esta entrada de Asseiceira, ficou graças a esta obra, muito mais interessante, bonita e diferenciada.

Pode saber mais sobre Ricardo Tomás em:

domingo, 1 de julho de 2012

Dezembro de 1975

Um amigo indicou-me um site com fotos de 1975 tiradas em Rio Maior.
Essas fotos podem ser vistas em:

A 13 de Julho de 2011 escrevi um artigo sobre os momentos controvados do pós 25 de Abril em Rio Maior que pode ser lido em:
A 11 de Janeiro de 2010 fiz um outro artigo sobre a Moca de Rio Maior que pode ser lido em:
A insistência no tema não está relacionado com fatores ideológicos, mas por questões circunstanciais.

A 14 de Dezembro de 1975, ocorre em Rio Maior o Segundo Plenário de Agricultores no qual se aprovou a função e os estatutos da Confederação de Agricultores Portugueses (CAP). A Lei da Reforma Agrária é atacada e considerada como ‘uma lei lunática’ por José Manuel Casqueiro, secretário-geral da organização. Estiveram presentes, embora oficiosamente, representantes do MLDP, CDS e PPD.
Pode-se lêr no cartaz “O Povo de S. Julião do Distrito de Portalegre, Apoia o VI Governo e o Concelho da Revolução e ? o Povo de Rio Maior e Luta por uma Reforma Agrária ~JUSTA~”
O VI Governo provisório de Portugal, tomou posse a 19 de Setembro de 1975 chefiado por Pinheiro de Azevedo e foi substituído a 23 de Junho de 1976 por Almeida Costa.
O Conselho da Revolução, foi instituído a 14 de Março de 1975 pela Assembleia do Movimento das Forças Armadas, para tentar garantir que os objetivos do movimento fossem atingidos e para dar segurança, confiança e tranquilidade ao povo português. Foi extinto a 30 de Setembro de 1982 pela primeira revisão constitucional.


De notar que a 7 de Novembro de 1975 se tinham registado confrontos na região de Rio Maior entre representantes da CAP e representantes das UCPs (Unidades Coletivas de Produção) e Cooperativas Agrícolas da Zona de Intervenção da Reforma Agrária.
A 24 de Novembro também decorreu em Rio Maior um Plenário Nacional de Agricultores.
Imagem retirada do EPHEMERA.
 
 
A 8 de Dezembro de 1975, num encontro do CDS em Rio Maior, o general Galvão de Melo afirmou ‘é preciso atirar os comunistas ao mar’.
Nesta época pós-revolução houve violência popular anticomunista. A 13 de Julho de 1975, em Rio Maior, uma multidão atacou a sede da Frente Socialista Popular (FSP) e o centro de trabalho do Partido Comunista (PCP), marcando o início de uma vaga de assaltos a sedes do partido e dos sindicatos um pouco por todo o país.