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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Extração e processamento do ferro em Rio Maior


Este artigo vai-se debruçar sobre a história da extração e transformação de ferro em Rio Maior.

Em termos históricos, o uso do ferro tem uma importância muito relevante que levou a classificar uma época como Idade do Ferro e que na Península Ibérica começou por volta de 1000-900 a.C. O uso do ferro segue-se ao uso do cobre e do bronze.

Em Portugal e com os romanos, o ferro merece um relevo especial, havendo inúmeras explorações de jazidas de superfície de minério de ferro. Nessa época seria o ferreiro que trataria de todas as etapas de extração, fundição e forja que se misturavam entre si.
Em Rio Maior existem vestígios de ter existido uma ferraria romana na zona do Matão (aproximadamente na zona do atual parque de estacionamento da industria de carnes Nobre), pois foi descoberto um túnel que levaria a água do rio para as oficinas em que o ferro era tratado.
Pode saber mais sobre este túnel, em: 

Durante o período visigótico e muçulmana não existe qualquer referência à atividade metalúrgica, em consonância com o que acontece com o resto de Portugal.

Com a Idade Média, a função de extração do minério de ferro é separada do trabalho metalúrgico. Nesta época em cada núcleo populacional haveria um ferrador e/ou ferreiro. Por esta razão a existência de artesãos metalúrgicos não implica a existência de minas.
No entanto, só no século XIII é que aparecem referências documentais da atividade de extração e trabalho do ferro em Rio Maior. Os frades alcobacenses é que se dedicavam a este ofício pois o ferro era fundamental na elaboração de ferramentas para a agricultura.
A 7 de Abril de 1250, D. Fernando Mendes, abade de Alcobaça, faz inúmeras doações de possessões do mosteiro em Rio Maior (moinhos, fornos, herdades, casas, vinhas, …) a D. Estevão Anes, chanceler do rei Afonso III, mas ressalva que continuam na posse do mosteiro o minério de ferro existente na região (“reseruamos nobis mineriam ferri que est in heriditate quam habemus de Domna Vrraca fernandi. Et domos in quibus sunt strumenta ad ferrum fundendum”). Nesta altura, o Mosteiro de Alcobaça explorava uma mina de ferro em Rio Maior, na herdade deixada por D. Urraca Fernandes e uma outra mina existente em Freiria.
Existe uma outra referência, de 1256, que trata de forma explícita e pormenorizada de uma oficina de fundição de ferro em Rio Maior.
Ao longo do século XIII, aumentou a preocupação da Coroa em controlar a exploração dos recursos de metais. Foi D. Dinis que, em 1282, autorizou Sancho Peres e alguns sócios, com direitos sucessórios, a explorarem minas de ferro por todo o reino, dando à coroa a quinta parte de tudo o que extraíssem, e a dízima do aço e do ferro trabalhado.

Em resumo e em relação à mineração de ferro na região de Rio Maior, ‘talvez’ se possa dizer que:
- Os romanos exploraram intensivamente as jazidas mais importantes chegando mesmo a esgotar algumas delas.
- Com a chegada dos povos germânicos e dos muçulmanos assistiu-se a um retrocesso na exploração mineira.
- Na Idade Média houve um voltar ao trabalho nas minas de ferro, embora não esteja bem documentada. Durante esta época deve-se ter esgotado o minério fácil de apanhar na região de Rio Maior.

Na região existem mais referências à extração e trabalho do ferro, como:
 - Em Alcobertas também existem registos de terem havido minas de ferro e de bronze.
 - Existem topónimos em Rio Maior que indicam atividades associadas ao ferro e/ou ferreiro, como é o caso de Fráguas que deriva de ‘Frávegas’ e a Quinta da Ferraria.
 - É sabido que um dos problemas das areias siliciosas da Bacia de Rio Maior é o alto teor de ferro que pode atingir valores de Fe2O3 na ordem de 1.800 a 2.200ppm.

sábado, 18 de abril de 2015

Porto do Rio em Alcobertas

Em Alcobertas existe um espaço de lazer junto ao rio que se chama Porto do Rio.
A área de 2100m2 foi projectada em Agosto de 2009 pela Happy Tree Design (Arquitectura paisagista, planeamento e gestão do território).
O espaço é muito bonito e contem uma antiga azenha que foi toda reconstruída, muitas zonas verdes, uma piscina e muito espaço para se passar uns bons momentos junto ao rio.
Só é pena a obra ainda não ter sido acabada e assim como se encontra há já muito tempo, poder constituir um perigo para a segurança de quem por este parque se aventurar e a água estagnada constituir um ambiente para a disseminação de mosquitos.
Falta pouco para o espaço poder ser usado e servir de refúgio aos meses quentes de Verão. Vale a pena se fazer um último esforço para concluir esta obra.





A inauguração deste espaço ocorreu a 6 de Maio de 2016. Pode saber mais em:


terça-feira, 14 de abril de 2015

Levadas em Alcobertas

Em Alcobertas existem levadas que servem para irrigação, mas também para levar a água a azenhas. Algumas destas levadas passam por aquedutos.

Estas levadas deveriam de ser inventariadas, mantidas e promovidas pois em conjunto com as outras atrações da zona poderiam criar um movimento que atraísse turistas, visitantes e desportistas.



Mesmo perto existe a Nascente do Olho d’Água, Azenhas, o Espaço do Rio da Ponte, o Dólmen,  e ao redor existe a Serra dos Candeeiros, Casais Monizes, Chãos, vários Moinhos de Vento, Nascentes, Algares, Eiras, Cisternas, Lagoas, as Grutas de Alcobertas, os Potes Mouros, o Forno Medieval, o Castro de S. Martinho, as Formações Prismáticas de Basalto… Claro que as Salinas também ficam bem perto.
Pode ver o que existe em Alcobertas neste mesmo Blog, em:
 
Levadas são canais de água que desviam a água das nascentes para irrigação ou para levar a água para moinhos. Normalmente este termo é usado na Macaronésia que são as ilhas perto de África e da Europa, como a Madeira, os Açores, as Canárias ou Cavo Verde.

sábado, 11 de abril de 2015

Gruta do Zé do Alpendre em Teira

Em Teira, Alcobertas, existe a Gruta do Zé do Alpendre, assim chamada devido a se encontrar na propriedade dessa pessoa.
 
A gruta situa-se na vertente Este da Serra dos Candeeiros, em 39º23’44”N 8º55’43”W.
Este espaço parece um alpendre com vista para Teira e os seus campos cultivados. Serve também de protecção da chuva ou do sol abrasador nos meses de Verão.

 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Procissão do Enterro do Senhor em Rio Maior

Em Rio Maior, existem duas Procissões Pascais. A Procissão dos Paços e a Procissão do Enterro do Senhor. Ambas são da responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior.

A procissão do Enterro do Senhor tem início na Igreja Paroquial e passa por diversas ruas da cidade. A solenidade termina na Igreja da Misericórdia com o ato simbólico do Enterro do Senhor.
Nesta cerimónia estão representadas as várias entidades de Rio Maior, como a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia, a Associação e Corpo de Bombeiros, os Escuteiros e a Liga dos Combatentes. Durante o percurso coube à Banda Filarmónica da Freguesia de São Sebastião o acompanhamento musical. A solenidade é muito participada, havendo muitos populares que acompanham a procissão e muitos outros que aguardam a sua passagem para assistirem ao evento.









 
Esta procissão já se realiza há muitos anos em Rio Maior.



Existe um relato curioso envolvendo estas procissões pascais que se passou com a procissão do Corpo de Deus em 1435. O dia do Corpo de Deus era é celebrado na segunda quinta-feira após o domingo de Pentecostes (60 dias após a Páscoa) e era dia feriado até 2012. Esta festa é a “festa de guarda” onde é celebrado o mistério da Eucaristia.
Ora em 1435, vários bens de Rio Maior foram penhorados pelo facto da população não ter participado na procissão organizada em Santarém. A 20 de Julho de 1435 os moradores de Rio Maior foram a Alenquer, onde a Corte portuguesa estava a passar uns dias, obtiveram uma audiência e expuseram o facto de não terem ido a Santarém devido à procissão se realizar já há muitos anos em Rio Maior. Obtiveram um alvará de D. Duarte que ordenava aos juízes de Santarém à devolução dos penhores e conseguiram ainda o direito a organizarem localmente a sua festa e procissão. Posteriormente e com medo de novas intervenções dos Juízes do Concelho procuraram a confirmação sucessiva do diploma, a 13 de Maio de 1440 em Santarém e a 24 de Agosto de 1449 em Óbidos. Este evento reforçou os laços entre a comunidade de Rio maior e a igreja local, já que até então as relações não eram muito próximas. O facto da igreja se encontrar fora do espaço da aldeia e do outro lado do rio é exemplo do fraco envolvimento da população. Claro que as ordens religiosas estavam envolvidas em alguns ramos económicos, como a extracção de sal-gema nas salinas (pelo menos desde 1177) e a extracção de ferro numas minas existentes no termo da aldeia referenciadas no século XIII.