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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Procissão do Enterro do Senhor em Rio Maior

Em Rio Maior, existem duas Procissões Pascais. A Procissão dos Paços e a Procissão do Enterro do Senhor. Ambas são da responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior.

A procissão do Enterro do Senhor tem início na Igreja Paroquial e passa por diversas ruas da cidade. A solenidade termina na Igreja da Misericórdia com o ato simbólico do Enterro do Senhor.
Nesta cerimónia estão representadas as várias entidades de Rio Maior, como a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia, a Associação e Corpo de Bombeiros, os Escuteiros e a Liga dos Combatentes. Durante o percurso coube à Banda Filarmónica da Freguesia de São Sebastião o acompanhamento musical. A solenidade é muito participada, havendo muitos populares que acompanham a procissão e muitos outros que aguardam a sua passagem para assistirem ao evento.









 
Esta procissão já se realiza há muitos anos em Rio Maior.



Existe um relato curioso envolvendo estas procissões pascais que se passou com a procissão do Corpo de Deus em 1435. O dia do Corpo de Deus era é celebrado na segunda quinta-feira após o domingo de Pentecostes (60 dias após a Páscoa) e era dia feriado até 2012. Esta festa é a “festa de guarda” onde é celebrado o mistério da Eucaristia.
Ora em 1435, vários bens de Rio Maior foram penhorados pelo facto da população não ter participado na procissão organizada em Santarém. A 20 de Julho de 1435 os moradores de Rio Maior foram a Alenquer, onde a Corte portuguesa estava a passar uns dias, obtiveram uma audiência e expuseram o facto de não terem ido a Santarém devido à procissão se realizar já há muitos anos em Rio Maior. Obtiveram um alvará de D. Duarte que ordenava aos juízes de Santarém à devolução dos penhores e conseguiram ainda o direito a organizarem localmente a sua festa e procissão. Posteriormente e com medo de novas intervenções dos Juízes do Concelho procuraram a confirmação sucessiva do diploma, a 13 de Maio de 1440 em Santarém e a 24 de Agosto de 1449 em Óbidos. Este evento reforçou os laços entre a comunidade de Rio maior e a igreja local, já que até então as relações não eram muito próximas. O facto da igreja se encontrar fora do espaço da aldeia e do outro lado do rio é exemplo do fraco envolvimento da população. Claro que as ordens religiosas estavam envolvidas em alguns ramos económicos, como a extracção de sal-gema nas salinas (pelo menos desde 1177) e a extracção de ferro numas minas existentes no termo da aldeia referenciadas no século XIII.

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